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Minha empresa cresceu e mudou de ramo: Eu ainda estou protegido pelo INPI?

  • Foto do escritor: Gilberto Diniz
    Gilberto Diniz
  • 21 de mai.
  • 6 min de leitura

Você trabalhou duro para construir sua marca, registrou-a no INPI e conquistou o direito exclusivo de usá-la no mercado. Mas o tempo passou, seu negócio evoluiu — talvez você tenha lançado novos produtos, entrado em um segmento diferente ou até pivotado completamente o modelo de negócios. E agora surge uma pergunta fundamental: o registro de marca que você obteve ainda protege tudo o que sua empresa faz hoje?

A resposta, na maioria dos casos, é: depende. E entender esse "depende" pode ser a diferença entre ter sua marca protegida ou ficar vulnerável a concorrentes e imitadores. Neste artigo, explicamos como funciona a proteção de marca no INPI, o que muda quando sua empresa muda de ramo e quais passos você deve tomar para garantir que sua marca continue blindada.

Como funciona a proteção de marca no INPI?

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é o órgão federal responsável por conceder e administrar os registros de marcas no Brasil. Quando você registra uma marca, o INPI não protege o nome ou o símbolo de forma genérica e irrestrita — ele protege aquela marca especificamente para os produtos e serviços declarados no momento do pedido, dentro de uma ou mais classes da Classificação Internacional de Nice (NCL).

A Classificação de Nice divide produtos e serviços em 45 classes. Por exemplo:

  • Classe 25 — Vestuário, calçados e chapelaria

  • Classe 35 — Publicidade, gestão de negócios e serviços de escritório

  • Classe 42 — Serviços científicos e tecnológicos, pesquisa e design

Isso significa que, se você registrou sua marca apenas na Classe 25 (moda), mas passou a oferecer também serviços de consultoria de imagem (Classe 45) ou uma plataforma digital (Classe 42), sua marca não está protegida nessas novas atividades. Outro empresário pode registrar o mesmo nome nessas classes e atuar legalmente no mercado.

O princípio da especialidade: o coração da proteção de marcas

O direito marcário brasileiro é regido, entre outros, pelo princípio da especialidade: a proteção conferida pelo registro de marca é limitada ao segmento de mercado (classe) para o qual foi concedida. Isso tem uma implicação direta para empresas em crescimento ou transformação:

Sua marca só está protegida onde você disse ao INPI que atuaria — não onde você atua de fato hoje.

A exceção a esse princípio são as chamadas marcas de alto renome — aquelas reconhecidas pelo INPI como amplamente conhecidas em todos os segmentos do mercado consumidor, como Google, Coca-Cola ou Nike. Essas marcas recebem proteção especial em todas as classes. Mas, para a grande maioria das empresas brasileiras, o princípio da especialidade se aplica integralmente.

Cenários práticos: quando a proteção pode falhar

Veja alguns exemplos hipotéticos que ilustram os riscos de não atualizar o registro de marca ao expandir ou mudar o ramo de atuação:

Caso 1: A loja física que virou e-commerce

Uma empresa de artigos esportivos registrou sua marca na Classe 28 (artigos esportivos e de ginástica). Com a pandemia, migrou para o e-commerce e passou a oferecer também cursos online de treinamento físico. Sem um registro atualizado na Classe 41 (educação e entretenimento), um concorrente pode registrar o mesmo nome para serviços educacionais online e impedir legalmente que a empresa use sua própria marca nesse novo segmento.

Caso 2: A startup de tecnologia que expandiu para serviços financeiros

Uma fintech registrou sua marca apenas na Classe 42 (serviços de tecnologia). Ao lançar uma carteira digital e serviços de pagamento, passou a atuar também na Classe 36 (serviços financeiros e bancários). Sem o registro nessa classe, a marca fica desprotegida justamente no core do novo negócio — o que pode gerar disputas jurídicas custosas e até a perda do direito de uso.

Caso 3: A consultoria que virou SaaS

Uma empresa de consultoria de RH registrou sua marca na Classe 35 (serviços de gestão empresarial). Ao desenvolver um software de gestão de pessoas e comercializá-lo como SaaS, passou a atuar na Classe 42. Um concorrente que registre o mesmo nome na Classe 42 pode impedir a empresa de usar sua própria marca no produto que desenvolveu.

Os principais riscos de não atualizar o registro de marca

  • Perda de exclusividade: concorrentes podem registrar sua marca nas classes não cobertas e usar o mesmo nome legalmente.

  • Ações de infração: você pode ser notificado por uso indevido de marca em classes onde não tem registro, mesmo usando seu próprio nome.

  • Dificuldade em captar investimentos: investidores e fundos de venture capital realizam due diligence de propriedade intelectual. Uma marca desprotegida pode inviabilizar rodadas de investimento.

  • Prejuízo à reputação: um concorrente usando o mesmo nome em um segmento adjacente pode confundir clientes e diluir o valor da sua marca.

  • Custos jurídicos elevados: disputas administrativas no INPI e ações judiciais são muito mais caras do que um registro preventivo atualizado.

O que fazer quando sua empresa muda de ramo ou expande?

A boa notícia é que o processo de atualização da proteção de marca é mais simples do que parece. Veja os passos recomendados:

  1. Faça um mapeamento das suas atividades atuais e futuras: liste todos os produtos, serviços e canais de atuação da sua empresa hoje — e os que planeja lançar nos próximos 2 a 3 anos.

  2. Identifique as classes de Nice correspondentes: com o apoio de um especialista em propriedade intelectual, mapeie quais classes da Classificação de Nice cobrem suas atividades.

  3. Realize uma busca de anterioridade: antes de depositar novos pedidos, verifique se já existe alguma marca registrada ou em análise nas classes desejadas que possa conflitar com a sua.

  4. Deposite novos pedidos de registro no INPI: para cada nova classe identificada, protocole um pedido de registro de marca. A data de depósito é o marco que garante sua prioridade.

  5. Monitore sua marca continuamente: acompanhe os pedidos de terceiros no INPI para identificar possíveis conflitos e agir dentro dos prazos legais de oposição (60 dias após a publicação).

Atenção ao prazo de vigência: renovação a cada 10 anos

Além da questão das classes, é importante lembrar que o registro de marca no INPI tem validade de 10 anos, renováveis por períodos iguais e sucessivos. O pedido de renovação deve ser feito no último ano de vigência do registro. Deixar o prazo vencer significa perder o registro e ter que recomeçar o processo do zero — sem garantia de que o nome ainda estará disponível.

Portanto, ao revisar a proteção da sua marca em função de mudanças no negócio, aproveite para verificar também as datas de vencimento dos registros existentes.

Proteção internacional: e se minha empresa estiver crescendo além do Brasil?

O registro no INPI protege sua marca apenas no território brasileiro. Se sua empresa está expandindo para outros países — seja por exportação, franquias internacionais ou operações digitais globais — é fundamental considerar a proteção internacional da marca.

O Brasil é signatário do Protocolo de Madri, administrado pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), que permite solicitar proteção de marca em mais de 130 países com um único pedido. Essa é uma solução eficiente e econômica para empresas com ambições globais.

Conclusão: crescer sem proteger é um risco que não vale a pena

A marca é um dos ativos mais valiosos de qualquer empresa. Ela carrega a reputação, a confiança dos clientes e o posicionamento de mercado construídos ao longo de anos. Quando o negócio cresce e muda de ramo, é natural que o foco esteja na operação, no produto e nas vendas — mas negligenciar a atualização do registro de marca pode colocar em risco tudo o que foi construído.

A proteção de marca não é um evento único — é um processo contínuo que deve acompanhar a evolução do seu negócio. Manter o registro de marca atualizado é tão importante quanto renovar alvarás, contratos e seguros.

Próximos passos: como a Magillux pode ajudar

A Magillux é especializada em proteção de marcas e ativos intangíveis. Se sua empresa passou por mudanças recentes — ou está planejando uma expansão — nossa equipe pode:

  • Realizar um diagnóstico completo da sua proteção de marca atual

  • Identificar lacunas e riscos nas classes não cobertas

  • Conduzir buscas de anterioridade e depositar novos pedidos no INPI

  • Monitorar sua marca e agir preventivamente contra possíveis conflitos

  • Planejar a proteção internacional da sua marca via Protocolo de Madri

Entre em contato com a Magillux e descubra como garantir que sua marca esteja protegida em cada etapa do crescimento do seu negócio.


 
 
 

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